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Para muitas pessoas “desapegar” significa renunciar a objetos. Neste caso se a pessoa conseguir se livrar do que não serve mais, não agrada mais, então é desprendida, desapegada. Basta fazer uma faxina no armário no final do ano e doar o que não serve que tudo estará resolvido. Eu já fiz isso, mas só isso não bastou. O armário ficou com mais espaço, mas a alma ainda continuava apegada, presa, sobrecarregada.

Para outras pessoas significa renunciar a qualquer desejo (o que pode tornar a vida algo sem motivação ou sentido). Aqui o desapego pode ser entendido como um desinteresse, uma indiferença É viver como se nada importasse, como se nada pudesse abalar e como se fosse possível se isolar dos sentimentos e da dor. Mas é possível fazer isso? Em minha opinião, não!

Para a filosofia budista, desapegar significa abandonar o que quer que seja (pessoa, objeto, pensamento, sentimento), sem sofrimento. O desapego não é uma rejeição ou negação. É uma liberdade que só pode ser sentida quando deixamos de nos prender às causas do nosso sofrimento. Significa que devemos nos libertar do condicionamento que nos faz acreditar que sem aquilo jamais poderíamos ser felizes. “Quando colocamos a posse de algo como condição essencial para nossa paz interior (felicidade), damos a ele um enorme poder. Então o objeto desejado é que passa a nos possuir e controlar”.

Como nos ensina Osho “O desapego é certamente a essência do caminho”. E por mais difícil que este caminho seja, vale a pena ser percorrido. Ou ainda como disse o sábio indiano Sri Nisargadatta Maharaj (1897-1981), “não é o que você faz que importa, mas o que você deixa de fazer “. Deixamos de fazer quando fazemos escolhas baseadas em nossos preconceitos, conceitos, ideias fixas. Aqui o próprio “eu” deve ser uma ideia ou conceito a ser investigado para que seja possível desapegar de si mesmo, de suas ideias e comportamentos fixos. Fazer terapia nos possibilita desvendar e conhecer a si mesmo e, sobretudo, reescrever à nossa maneira de ser e estar no mundo.

Michael Stone (psicoterapeuta canadense) fez uma nova tradução para o desapego. Para ele, desapegar significa não se apegar a ideias fixas, não ter uma mentalidade fechada. Significa ter compromisso com a vida, aproveitar o que ela tem para oferecer. É envolvimento e intimidade com as coisas como são. Assim, desapego significa estar aberto a tudo, ter uma intimidade e um envolvimento verdadeiros com todas as coisas. É viver o presente com tudo de bom e ruim que ele possui. Neste sentido, desapegar não significa não sofrer, mas sim, aprender a lidar com o sofrimento.

Para mim, limpar o armário no final do ano, rasgar papéis que não tem mais utilidade, apagar e-mails já respondidos, me afastar de pessoas que não me amam e respeitam pelo que sou (esse é o desapego mais difícil), estudar e escrever são exercícios para me ajudar a aprender a desapegar.

A escrita me permite refletir, esvaziar, reavaliar, apagar, reescrever, reler, acrescentar, excluir e, finalmente concluir. Este exercício me permite perceber e lidar com os apegos que tenho com pessoas, alimentos, meu estilo de vida, sentimentos ruins que me impedem de progredir e de fazer escolhas conscientes.

Acredito que seja porque, assim como os sentimentos, a escrita também é narcísica, ou seja, só escrevemos sobre aquilo que faz sentido para nós, que nos toca, nos move, que queremos conhecer melhor, que tem a ver conosco e com nossa vida.

E como faz bem, perceber através dos textos que escrevemos ao longo do tempo, todas as mudanças que aconteceram. Como é bom ver que nos desprendemos de conceitos fixos, de vícios antigos, de hábitos que prejudicavam nossa saúde, de desculpas sem sentido usadas para justificar o medo de se arriscar e de mudar.

O desapego traz a possibilidade de um recomeço, um novo olhar sobre a vida e tudo que tem a ver com ela. É quando desapegamos que podemos rever, recomeçar, dar um novo sentido, buscar ter mais saúde e transformar. Desapegar é, portanto, reconhecer que já estivemos neste lugar, porém não queremos mais estar ali.

Sobre a Autora:

Liane Baccar

CRTH-BR 1117

Pedagoga com Pós-Graduação em Psicologia Escolar (PUC-RS), Psicomotricidade (CLAVE-RJ), Psicopedagogia (CEPERJ-RJ), Terapia Floral (UNYLEYA), Fitoterapia (UNYLEYA). Formação em Aromaterapia Clínica, Master em Terapia Bio-Ortomolecular, Diploma de Naturopatia (Académie Européenne des Médicines Naturalles), Formação em Psicanálise Integrativa. Mentora de Terapeutas. Professora e Palestrante em Congressos e Eventos de Aromaterapia e Naturopatia, no Brasil e Portugal.

Instagram: @lianebaccar

YouTube: https://www.youtube.com/c/LianeBaccar

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