A Aromaterapia é uma prática integrativa e complementar aos cuidados pessoais com a saúde. É uma parte específica da fitoterapia. Utiliza plantas aromáticas que produzem óleos essenciais voláteis e que possuem princípios ativos concentrados. Tem propriedades terapêuticas comprovadas pelo uso tradicional e por pesquisa cientifica. É uma técnica holística que visa reestabelecer o equilíbrio e a harmonia do corpo e da mente.
Existem várias formas de trabalhar com Aromaterapia e seus óleos essenciais (OEs): aromaterapia clínica, estética, vibracional, holística, psicoaromaterapia, ensino da Aromaterapia (cursos presenciais ou EAD), estudo e pesquisa dos óleos essenciais ou oferecer consultoria (mais relacionada a venda de produtos). É imprescindível que o profissional consultor também esteja habilitado, pois ele deve ter condições de informar o consumidor quanto ao uso consciente, seguro e responsável dos óleos essenciais. Afinal óleo essencial tem princípio ativo, contraindicações e podem causar efeito colateral e trazer risco de toxicidade, caso seja utilizado de forma inadequada.
Quem pretende exercer a prática da Aromaterapia deve escolher qual será sua área de atuação e buscar um curso para conhecer e aprofundar seu conhecimento. É importante o profissional conhecer profundamente a ação terapêutica, contraindicações, efeitos colaterais, riscos de toxicidade e interação medicamentosa dos óleos essenciais. Além disso, deve avaliar quais óleos essenciais poderão ser recomendados, qual a forma de uso mais adequada, qual o carreador apropriado e qual a diluição segura. A recomendação individual (R.I.) deverá ser de acordo com a idade e as condições individuais de saúde física e mental de quem irá usar o óleo essencial ou a sinergia. Cabe mencionar que ao usar um óleo essencial em si mesmo, cada um é responsável pelo dano que causar a si mesmo. No entanto, no atendimento em Aromaterapia, o Aromaterapeuta pode ser responsabilizado pelo dano que causar ao cliente.
Outro ponto importante é a maneira como o Aromaterapeuta realizará o atendimento em Aromaterapia. O modo de atendimento, determinará se será estabelecido ou não um vínculo terapêutico. O fato de o cliente ter buscado atendimento, não garante que ele confiará no profissional e na sua capacidade de ajudá-lo. Sendo assim, é muito importante o Aromaterapeuta criar um ambiente seguro, que incentive a troca de informações, onde o cliente se sinta verdadeiramente e incondicionalmente ouvido e aceito, pois ele irá compartilhar informações íntimas sobre sua saúde, suas funções corporais, sua vida. Por mais confiante que um cliente possa parecer, para a maioria das pessoas que buscam atendimento, existe uma sensação interna de vulnerabilidade que pode gerar sensibilidade, ansiedade ou algum mecanismo de defesa inconsciente.
No primeiro contato (presencial, online ou telefone) o Aromaterapeuta deve ouvir atentamente o motivo do cliente buscar o atendimento e informar como poderá ajudá-lo: quais são as técnicas nas quais tem habilitação para trabalhar, como será realizado o atendimento, quais são as regras (número de atendimentos na semana, pagamento, atrasos, não comparecimento, formas de entrar em contato etc.). Neste momento o cliente deve receber todas as informações necessárias para poder decidir se pretende ou não iniciar o processo de atendimento terapêutico. E se ele decidir que não deseja seguir adiante, tudo bem, respeite, cada um tem o seu tempo.
Caso o cliente decida seguir com o atendimento terapêutico, quando ele estiver sendo atendido, ele deverá ser seu único foco: esteja incondicionalmente e respeitosamente disponível para ele. Observe e ouça, atentamente e sem preconceitos ou julgamentos. Tenha uma escuta ativa (ouça o que é dito e o que está nas entrelinhas), perceba o tom de voz, o ritmo da fala, se existem contradições, inflexões, repetições, pausas na fala, agitação, silêncio, tensão, choro. Preocupe-se profundamente com o que ele tem a dizer e faça pontuações mostrando que está ouvindo com atenção. Olhe para o cliente quando for informar algum aspecto importante, com base no seu entendimento e observação; utilize uma linguagem clara e objetiva para garantir que o cliente entenda todas as informações necessárias e relevantes e possa escolher com consciência quais serão os próximos objetivos, metas e mudanças que ele pretende realizar.
Além disso, é muito importante, deixar claro para o cliente que o processo terapêutico exigirá dele comprometimento, investimento e dedicação. O Aromaterapeuta estará disponível para ouvir, apoiar e sugerir ao cliente estratégias para melhorar sua queixa, porém é o cliente quem deverá decidir de que maneira, quando e se irá ou não implementar as mudanças benéficas no seu estilo de vida.
Como vimos, o vínculo entre terapeuta-cliente deverá ser estabelecido muito antes do Aromaterapeuta recomendar um óleo essencial. Se o olhar e a escuta do Terapeuta ficarem estruturados e fixos no distúrbio ou desequilíbrio, então ele só perceberá as deficiências no outro e, pior, elas serão reforçadas, o padrão continuará sendo o mesmo. Lembre-se que o cliente não é “alguém a ser reparado”. Quem está a sua frente é um sujeito ativo e participante na busca de sua saúde. Só ele pode realizar as mudanças que precisa fazer para reencontrar o equilíbrio e o bem-estar na própria vida. E ele tem todos os recursos e instrumentos para realizá-las.
“Todo dia é um novo dia, uma nova oportunidade para recomeçar.”
Liane Baccar
Pedagoga com Pós-Graduação em Psicologia Escolar (PUC-RS), Psicomotricidade (CLAVE-RJ), Psicopedagogia (CEPERJ-RJ), Terapia Floral (UNYLEYA), Fitoterapia (UNYLEYA). Formação em Aromaterapia Clínica, Master em Terapia Bio-Ortomolecular, Diploma de Naturopatia (Académie Européenne des Médicines Naturalles), Formação em Psicanálise Integrativa. Mentora de Terapeutas. Professora e Palestrante em Congressos e Eventos de Aromaterapia e Naturopatia, no Brasil e Portugal.
Instagram: @lianebaccar